Government-aligned
Trump viaja à China para reunião com Xi Jinping
Trata-se da primeira visita à China de um presidente dos Estados Unidos desde 2017
há 2 dias
Donald Trump aterrissa em Pequim cercado por tapete vermelho, CEOs bilionários e expectativas globais — mas também por desconfiança, tarifas suspensas pela Suprema Corte dos EUA e uma guerra no Irã que paira sobre a mesa.
A imprensa alinhada a governos sublinha o caráter “remodelador” da visita, que “pode alterar significativamente as relações entre as duas maiores economias do mundo” e concentrar a atenção internacional até sexta-feira. Um editorial ecoando o Global Times fala em oportunidade para que China e EUA ofereçam “avanços práticos” em estabilidade, comércio e governança global.
Do lado crítico, a ênfase é outra: a cúpula ocorre “em meio a guerra tarifária pausada e disputas tecnológicas sem solução à vista”, com tarifas de até 130% impostas por Trump contra produtos chineses só recentemente suspensas por decisão judicial. Para opositores, a viagem é menos reconciliação e mais tentativa de destravar negócios sob forte pressão econômica.
Analistas em Pequim falam em mudança de eixo: pela primeira vez os EUA tratariam a China “como um parceiro em pé de igualdade. Em pé de igualdade”. Isso se traduziria em um pacote de grandes compras chinesas de soja, milho, petróleo, gás natural e aviões, além de investimentos diretos nos EUA.
Na direita americana e brasileira, porém, o enquadramento é o oposto: Trump chegaria “em posição de força”
, reforçado por uma comitiva que inclui Elon Musk, Tim Cook, Kelly Ortberg e Jensen Huang para “pressionar Xi a abrir a China para empresas dos EUA”.
Em comum, todos reconhecem que a agenda é explosiva: tarifas, terras raras, semicondutores, propriedade intelectual, vendas de armas a Taiwan e a guerra no Irã, que já “abalou a economia mundial e o mercado de energia”. Há quem compare a cúpula a Nixon-Mao, argumentando que EUA e China têm hoje “um inimigo em comum” na forma de uma IA capaz de dar “superpoderes a pequenos atores malignos”.
Entre a retórica de parceria estratégica e o jogo duro de tarifas e sanções, a visita de Trump a Xi é menos lua de mel e mais partida de rúgbi geopolítica. O placar final ainda está completamente aberto.