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Lula zera imposto federal sobre a 'taxa das blusinhas'
A isenção de impostos passa a valer a partir da quarta-feira 13
há um dia
Lula não só matou a “taxa das blusinhas”; ele transformou o enterro em ato de campanha. O alívio imediato para quem compra na Shein e na Shopee vem acompanhado de uma guerra aberta entre Planalto, indústria e oposição.
De um lado, o governo tenta vender a reviravolta como correção de rota em favor do consumo popular. A MP zera o imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, mantendo apenas o ICMS estadual, num gesto que o Planalto trata como “avanço importante” para as compras de baixo valor. Colunistas governistas leem a medida como parte de uma ofensiva eleitoral combinada com programas como o Desenrola, mirando diretamente as classes C, D e E e restaurando a promessa de “inclusão pelo consumo”.
Do outro lado da Esplanada, a tecnocracia chia. A decisão “foi política e desagradou às equipes” da Fazenda e do Desenvolvimento, que enxergam prejuízo sobretudo para pequenos comerciantes nacionais, incapazes de disputar com plataformas estrangeiras turbinadas por isenção. A própria indústria fala em “demissões”, “prejuízos bilionários” e em um retrocesso que seria equivalente a “financiar a indústria de países como a China”, enquanto o produto brasileiro segue integralmente tributado. Entidades como CNI, Abit e Abvtex classificam a revogação como “extremamente equivocada” e “grave retrocesso econômico”, temendo perda de empregos e queda de arrecadação.
Na oposição, o tom é de denúncia de estelionato fiscal. A mesma taxa que o governo defendeu para “proteger a indústria nacional” agora é vista como erro eleitoral a ser apagado às pressas. Analistas descrevem a revogação como manobra para “reconquistar o pessoal da baixa renda” após pesquisas mostrarem que a cobrança virou símbolo do “principal erro” do terceiro mandato. Nas redes, o clima é de deboche: diante de petistas celebrando a “coragem” de Lula em zerar a tarifa, a reação sintetizada por Renata Barreto resume o sentimento de contradição: “Haja óleo de peroba hein”.
No fim, pobres pagam menos imposto na caixinha vinda da China, mas a conta política — e possivelmente a de empregos — fica para depois.