Notícia
outubro 11, 2026
Nova audiência na Itália reacende disputa sobre extradição de Zambelli
A defesa de Carla Zambelli tenta barrar sua extradição alegando falhas processuais e riscos a direitos fundamentais, enquanto as autoridades brasileiras sustentam ter apresentado as garantias exigidas. À Justiça italiana caberá decidir se essas condições bastam — sem reexaminar a condenação.
A Justiça italiana marcou para o fim de outubro uma nova audiência sobre a extradição de Carla Zambelli, condenada pelo Supremo Tribunal Federal a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O caso remonta a 2022, quando a então deputada perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo.
A data exata aparece de forma divergente nas fontes: duas reportagens apontam 27 de outubro, enquanto outra indica o dia 29. O ponto central, porém, é o mesmo. A Corte de Cassação anulou a decisão anterior e mandou reiniciar a análise, exigindo garantias adicionais sobre o atendimento médico e as condições de custódia de Zambelli, que relata fibromialgia e desmaios. Segundo uma das fontes, os novos dados solicitados já foram entregues pelo Brasil.1
Para a defesa, o problema vai além da saúde. O advogado Eduardo Maurício espera que a extradição seja novamente negada por “falta de garantias processuais” e afirma que as condenações são “abusivas e ilegais”, atribuindo-as a perseguição política e parcialidade de ministros do STF.2 A equipe também prepara revisões criminais e pedidos para retirar o nome de Zambelli da lista da Interpol.
A leitura adotada pela Justiça italiana até aqui é mais estreita. No processo relativo à perseguição armada, a corte afastou a tese de perseguição política, mas cobrou informações específicas sobre tratamento médico contínuo no sistema prisional brasileiro. A audiência não decidirá se Zambelli é culpada ou inocente: examinará somente se a extradição respeita a legislação italiana, os tratados internacionais e as garantias fundamentais.3
O contraste é direto: a defesa tenta transformar o procedimento em um debate sobre a legitimidade das condenações; a corte italiana mantém o foco nas condições concretas para a entrega da ex-deputada ao Brasil.