Notícia
outubro 11, 2026
Meta tem 48 horas para provar que não desequilibrou a disputa eleitoral
Para a campanha de Lula, falhas de alcance e decisões de moderação indicam tratamento político desigual; a Meta rejeita a acusação, enquanto o TSE considera que ainda faltam provas técnicas para definir quem tem razão.
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva acusa a Meta de impor uma “seletividade algorítmica” capaz de “silenciar vozes relevantes do campo progressista”, sem transparência sobre os critérios empregados. A representação também aponta uma rede de 255 perfis no Instagram, supostamente operados por inteligência artificial, que teria somado 58 milhões de visualizações em um mês com ataques a Lula, ao PT e à primeira-dama Janja da Silva.1
Do outro lado, a Meta nega qualquer viés. A empresa afirma que as alegações são “simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos” e sustenta que vários dos problemas técnicos mencionados não atingiram apenas o Brasil ou contas específicas. Diz ainda cumprir as normas eleitorais e garantir isonomia entre os usuários de suas plataformas.2
O TSE, por enquanto, não endossou nenhuma das versões. O ministro Marco Aurélio Bellizze observou que os indícios apresentados são, em grande parte, indiretos — apoiados em reportagens, estudos de organizações civis e relatos de usuários — e determinou uma apuração técnica antes de analisar a liminar.
Em 48 horas, a Meta terá de preservar e entregar registros de moderação, anúncios e métricas; detalhar restrições aplicadas desde 16 de agosto; explicar alterações nas visualizações de vídeos publicados em 7 de outubro; justificar o bloqueio da conta de anúncios da campanha; e informar se agiu contra a rede automatizada. Também deverá demonstrar se Lula e Flávio Bolsonaro receberam tratamento idêntico nos sistemas de recomendação.
O contraste é direto: a campanha vê um padrão de interferência, a plataforma descreve falhas gerais sem motivação política e o tribunal exige dados internos para separar suspeitas de evidências. Até essa documentação chegar, a disputa permanece menos sobre o que apareceu nas telas e mais sobre o que ocorreu dentro do algoritmo.