Notícia
outubro 11, 2026

Pró-governo diz que celular confundido com arma terminou em 45 tiros da PM

Os policiais afirmam que reagiram a um gesto interpretado como ameaça; os vestígios, porém, mostram que Gustavo segurava um celular e foi atingido ao menos 27 vezes. Agora, as investigações terão de confrontar a versão dos agentes com câmeras, perícias e a dimensão dos disparos.

Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu durante uma abordagem da Polícia Militar na madrugada de sábado, em Moema, na Zona Sul de São Paulo. Quatro agentes dispararam 45 vezes; a perícia identificou pelo menos 27 ferimentos no corpo do jovem, que não tinha antecedentes criminais e fazia tratamento psiquiátrico.

A versão policial apresenta uma reação a uma ameaça iminente. Segundo o boletim de ocorrência, Gustavo correu ao ver a equipe, saiu de uma área escura e estendeu os braços segurando um objeto. Os agentes disseram ter interpretado o movimento como uma ameaça com arma de fogo. O contraste central do caso surgiu logo depois: o objeto escuro encontrado ao lado do corpo era um celular Samsung.

Os vestígios ampliam as dúvidas sobre a proporcionalidade da resposta. Além das dezenas de lesões distribuídas pela cabeça, tórax, abdômen, braços e pernas, foram registradas perfurações em imóveis próximos e viaturas policiais. O próprio boletim ressalta que a rua era “dotada de iluminação pública”. A Secretaria da Segurança Pública afirmou que “não tolera desvios de conduta dos seus agentes”.

Há um ponto de convergência entre a narrativa dos policiais e as provas disponíveis: as câmeras corporais teriam registrado Gustavo estendendo os braços. Mas as imagens completas ainda precisam esclarecer o contexto, a sequência da perseguição e o instante em que os quatro agentes decidiram abrir fogo.

As pistolas, o celular e as gravações foram apreendidos. As polícias Civil e Militar investigam a morte, enquanto um Inquérito Policial Militar examinará a conduta dos agentes. O caso foi registrado como “resistência” e “morte decorrente de intervenção policial”. A questão decisiva permanece: como um chamado sobre um jovem que ameaçava tirar a própria vida terminou com 45 disparos?