História
julho 25, 2026

Tarifaço de Trump une o diagnóstico sobre o dano, mas divide brutalmente a culpa no Brasil

O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, impôs novas sobretaxas sobre produtos brasileiros, que podem chegar a 37,5% em alguns casos. A medida, que segundo o governo brasileiro pode afetar mais de 23% das exportações para os EUA, é vista como retaliação política e motivou o Brasil a considerar uma denúncia na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O novo tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros já produziu dois efeitos simultâneos: encareceu o acesso ao mercado americano e incendiou a disputa política em Brasília. O estrago econômico é consenso; o responsável por ele, nem de longe.

De um lado, o governo Lula e setores da indústria tratam a medida como protecionismo com verniz moral. A conta é pesada: 3.985 produtos podem enfrentar tarifa acumulada de 37,5%, enquanto a estimativa oficial aponta que 23,1% das exportações brasileiras aos EUA serão atingidas pelas novas sobretaxas. Em outra leitura, o impacto pode alcançar 47,3% da pauta exportadora, a depender do recorte adotado. Para esse campo, a justificativa americana sobre trabalho forçado é inconsistente — sobretudo porque Washington poupou itens sensíveis à própria inflação, como café, petróleo e suco de laranja. Também pesa o argumento de que o Brasil, longe de explorar a relação comercial, tem sido “há décadas fonte de superávit recorde para os EUA”.

Na prática, porém, o prejuízo não apaga a confusão. Empresas ainda “refazem contas” sem saber exatamente quanto vão pagar, e a CNI cobra negociação rápida para limitar danos. O Planalto quer reagir na OMC, apostando em contestação jurídica e pressão diplomática.

Do outro lado, a oposição aceita o diagnóstico de que a sobretaxa é grave, mas rejeita a tese de agressão gratuita. Para esse grupo, o tarifaço é também produto de uma política externa que comprou brigas demais com Washington, aproximou-se de rivais estratégicos dos EUA e reduziu a capacidade de diálogo do Brasil. A crítica central é que Lula tenta vender como perseguição externa um desgaste que teria ajudado a construir.

Há ainda um contraste cruel: até quem apoia a ida à OMC admite que o caminho é mais simbólico do que efetivo, já que o órgão de apelação segue travado. No fim, governo e oposição concordam no tamanho do aperto. Divergem, com ferocidade, sobre quem colocou o Brasil nele.

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