História
julho 25, 2026
Tarcísio usa homenagem a Milei para turbinar a direita e escancarar o frio com Lula
Em visita a São Paulo, o presidente da Argentina, Javier Milei, foi recebido pelo governador Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes. Na cerimônia, Milei foi agraciado com a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria do estado, antes de participar da convenção nacional do PL.
Javier Milei desembarcou em São Paulo para receber a maior honraria do estado, mas o gesto foi muito além do protocolo. Nas mãos de Tarcísio de Freitas, a cerimônia virou recado político: afago à direita regional e contraste explícito com o governo Lula.
De um lado, aliados trataram a visita como demonstração de força entre lideranças conservadoras. A cobertura destacou que Milei recebeu a Ordem do Ipiranga antes de seguir para a convenção do PL que lançaria Flávio Bolsonaro ao Planalto, num roteiro desenhado para conectar São Paulo, Buenos Aires e o bolsonarismo brasileiro.1 O simbolismo foi reforçado pelo tapete azul, apresentado como referência à “onda azul” da direita sul-americana.2
Nesse campo, Tarcísio tentou dar verniz institucional ao encontro. Segundo relato da Gazeta do Povo, o governador afirmou que “a Argentina é um parceiro estratégico para São Paulo” e que a reunião serviria para “fortalecimento dessa parceria”.3 O entorno bolsonarista foi mais direto e menos diplomático: Eduardo Bolsonaro celebrou nas redes que Milei “não encontrou Lula”, mas encontrou aliados paulistas.
4
Do outro lado, críticos enxergaram menos diplomacia e mais palanque. A leitura mais dura foi a de que Tarcísio concedeu honraria a um “impopular presidente argentino” e transformou o Palácio dos Bandeirantes em vitrine para a extrema direita, num momento em que Milei enfrenta forte desgaste social em seu país.5 Também chamou atenção o fato de a cerimônia ter antecedido diretamente o ato do PL, reforçando a fusão entre agenda oficial e convenção partidária.6
As duas narrativas concordam em um ponto central: a visita não foi neutra. Para apoiadores, ela consolidou uma aliança ideológica e eleitoral em torno de Flávio Bolsonaro, como o próprio Eduardo anunciou ao divulgar a convenção.
7 Para adversários, expôs com nitidez o abismo entre Tarcísio e Lula — não só no estilo, mas no projeto de poder para 2026.