História
julho 25, 2026

Queda de Karim Khan expõe choque entre apuração interna e guerra política no TPI

O procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, foi destituído do cargo após uma votação com 82 dos 125 Estados-membros. A decisão foi tomada com base em acusações de má conduta e assédio sexual, que Khan nega, alegando que o processo tem motivação política, especialmente após solicitar mandados de prisão contra líderes israelenses.

A destituição de Karim Khan do comando do Tribunal Penal Internacional não encerra uma crise — ela a escancara. O que deveria ser uma decisão disciplinar virou, ao mesmo tempo, teste de credibilidade institucional e munição para uma batalha geopolítica maior.

De um lado, há o fato bruto: 82 dos 125 Estados-membros votaram pela remoção do procurador, superando com folga a maioria necessária. A leitura mais direta, presente em diferentes coberturas, é a de que Khan caiu por acusações graves de assédio e abuso sexual, em um processo que a Assembleia dos Estados Partes enquadrou como resposta a “falta grave” e “violação grave de seus deveres”. A ala que sustenta essa interpretação diz que o tribunal precisava estancar o dano à própria imagem; nas reportagens, a decisão aparece como tentativa de restaurar a credibilidade da corte.

Do outro lado, a defesa de Khan insiste que o caso nunca foi apenas sobre conduta pessoal. Seus advogados afirmam que o processo foi “ilegal, injusto e sem respaldo em evidências” e sustentam que sua queda tem cheiro de retaliação política, sobretudo após o pedido de prisão contra Binyamin Netanyahu e Yoav Gallant. Essa mesma linha aparece em veículos que destacam não apenas a investigação, mas o timing: o procurador que mirou líderes israelenses acabou derrubado no auge da pressão internacional.

Há ainda um terceiro vetor, mais duro e externo: os Estados Unidos aproveitaram o episódio para redobrar o ataque ao próprio TPI. Washington saudou a saída de Khan, mas deixou claro que o problema, na visão americana, não era só o homem — era a instituição inteira.

No fim, os dois argumentos centrais convivem sem se anular. Para uns, Khan caiu porque o TPI precisava punir um procurador acusado de abusar do cargo. Para outros, ele foi removido porque se tornou politicamente incômodo. O veredito saiu; a disputa sobre seu significado está só começando.