História
julho 25, 2026

Tarifaço de Trump vira munição para oposição e teste de força para o Planalto

O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, anunciou novas sobretaxas sobre produtos brasileiros, incluindo uma de 12,5% sob a justificativa de combate ao trabalho forçado, que se soma a uma tarifa anterior de 25%. A medida, que pode elevar a taxação combinada para 37,5% em milhares de produtos, gerou reação do governo brasileiro, que estuda acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar a Lei da Reciprocidade, enquanto setores produtivos pedem negociação diplomática.

O novo tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros não abriu só uma frente comercial. Abriu também uma guerra política em Brasília, onde governo e oposição disputam quem carrega a culpa — e quem pode vender a saída.

De um lado, a oposição tenta colar a conta diretamente em Lula. Flávio Bolsonaro disse que o presidente “está se lixando para as empresas brasileiras” e que “cavou o pênalti” ao desgastar a relação com Washington. Nesse campo, o tarifaço é retratado como prova de “passividade”, “choque de interesses” e até “falência da política externa brasileira”. A crítica se estende ao plano de recorrer à OMC: para adversários do governo, denunciar os EUA num órgão com sistema de apelação paralisado desde 2019 parece mais gesto de vitrine do que instrumento real de pressão.

Do outro lado, a base pró-governo responde invertendo o foco: o problema não seria Lula, mas a politização interna da crise e a atuação bolsonarista junto ao trumpismo. O deputado Paulo Teixeira chamou a família Bolsonaro de “tosca, anti-Brasil e antipovo” e acusou a oposição de se alinhar aos EUA contra a soberania nacional. O Planalto, por sua vez, classifica as tarifas como de “caráter completamente arbitrário e injustificado” e usa a Lei de Reciprocidade como carta de negociação, ainda sem bater o martelo sobre retaliação.

No meio desse tiroteio político, o setor produtivo soa menos ideológico e mais pragmático. A CNI calcula que 3.985 produtos podem enfrentar tarifa combinada de 37,5%, atingindo US$ 10,8 bilhões em exportações. O governo estima impacto direto sobre 23,1% das vendas aos EUA, enquanto boa parte da indústria pede rapidez, diálogo e sangue-frio — não escalada. Até dentro da diplomacia, a ida à OMC é vista como medida “simbólica”, útil para “marcar posição”, mas com efeito prático quase nulo no curto prazo.

No fim, há um raro ponto de convergência: quase ninguém nega o tamanho do estrago. O que muda — e muito — é a narrativa sobre o culpado e o remédio. Eduardo Bolsonaro resumiu a versão oposicionista em tom de campanha ao dizer no X que “Lula vai fazer você pagar a conta disto nos super mercados”.

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