História
julho 25, 2026

Oposição diz que veto de Moraes a Milei expõe STF e alimenta narrativa de perseguição

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibiu o presidente da Argentina, Javier Milei, de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em São Paulo. A decisão foi justificada pelo descumprimento de medidas judiciais por Bolsonaro e pela avaliação de que o encontro teria caráter eleitoral.

A decisão de Alexandre de Moraes de barrar a visita de Javier Milei a Jair Bolsonaro transformou um gesto político em munição simbólica. Para a oposição, o episódio não apenas isola Bolsonaro, mas amplia o desgaste do STF dentro e fora do Brasil.

No centro da disputa estão duas leituras opostas do mesmo ato. De um lado, Moraes sustentou que a visita não podia ocorrer porque Bolsonaro já estava submetido a restrições mais duras após descumprir medidas judiciais, e porque o encontro com o presidente argentino teria peso eleitoral na corrida de 2026. De outro, aliados da direita passaram a vender a decisão como prova de excesso judicial e de interferência política no jogo institucional.

A crítica oposicionista tenta explorar justamente esse contraste. Seus porta-vozes dizem haver “duplo padrão” ao lembrar que Lula visitou Cristina Kirchner na Argentina enquanto ela cumpria prisão domiciliar, com autorização da Justiça local, ao passo que Milei foi impedido de ver Bolsonaro em São Paulo. Nessa narrativa, o veto de Moraes serviria menos para resguardar regras processuais e mais para impedir uma imagem politicamente poderosa: a aproximação pública entre dois líderes da direita latino-americana.

Ao mesmo tempo, os críticos do STF afirmam que o caso reforça uma percepção internacional de politização da Corte, somando-se a reveses recentes em tribunais estrangeiros em disputas envolvendo nomes da direita. Já a justificativa judicial, como relatada, aponta para o risco de uso eleitoral do encontro e para o histórico recente de violações atribuídas a Bolsonaro.

Em resumo, o embate não é apenas sobre uma visita. Para o Supremo, trata-se de fazer valer limites já impostos. Para a oposição, virou a imagem perfeita de um Judiciário que, ao tentar conter Bolsonaro, acaba turbinando o discurso de perseguição que seus aliados mais querem propagar.