A Operação Sem Refino não atinge só um ex-governador e um megaempresário: ela expõe, de novo, o casamento tóxico entre poder político do Rio e o dinheiro pesado do combustível. De um lado, discurso anticorrupção; de outro, um histórico de Palácio Guanabara que parece refinaria de escândalos, em ciclo contínuo.
Como a oposição lê o caso: “elo com o clã Bolsonaro”
Veículos de oposição miram diretamente o campo bolsonarista. A Revista Fórum destaca Cláudio Castro como “pré-candidato ao Senado pelo campo de Flávio Bolsonaro” em operação ligada ao grupo Refit, após buscas em seu condomínio de luxo na Barra da Tijuca e bloqueio bilionário de ativos.1 Em outra matéria, reforça que o ex-governador, “aliado do clã Bolsonaro”, é alvo de investigação por suposto esquema de fraude fiscal e lavagem em torno de Ricardo Magro, apontado como “um dos maiores fraudadores de impostos do Brasil”.2
Outros sites lembram que a ofensiva vem na esteira da inelegibilidade de Castro pelo TSE e de sua renúncia às vésperas do julgamento, sugerindo um derretimento político acelerado.3 A Gazeta do Povo ressalta que a PF investiga um “esquema bilionário de sonegação de impostos” e que a Refit é vista pela Receita como maior devedora contumaz do país, com mais de R$ 26 bilhões em dívidas.4
A narrativa governista: foco em corrupção sistêmica e no grupo Refit
Na imprensa mais alinhada ao campo governista, o alvo central é o sistema — e, em particular, Ricardo Magro. O UOL relata que o STF mandou prender o empresário, considerado “um dos maiores sonegadores do país”, e determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões do grupo Refit, dentro da ADPF 635, que mira a corrupção sistêmica no Rio.5 A Folha descreve Magro como “devedor contumaz”, que vive em Miami e agora tem o nome na lista vermelha da Interpol.6
G1 e O Globo sublinham o aspecto técnico: a PF apura a “atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis” que teria usado uma teia societária para ocultar patrimônio, dissimular bens e evadir recursos ao exterior, com 17 mandados de busca, sete afastamentos de função pública e suspensão das atividades das empresas.78 Castro aparece aí mais como peça de um tabuleiro maior do que como protagonista absoluto.
Ponto em comum: o Rio como reincidente
Se oposição e governistas divergem no enquadramento político, convergem na imagem de um estado capturado. A Folha lembra que a operação contra Castro “engrossa a lista” de governadores do Rio enredados em prisões, denúncias e impeachments, de Garotinho a Cabral, Pezão e Witzel.9 Já colunistas como Lauro Jardim soam quase fatalistas: “a operação de hoje é só o começo” para Castro, cuja pré-candidatura ao Senado fica, no mínimo, cambaleante.10
No fim, mudam os governadores, mudam as refinarias, mas o roteiro é dolorosamente familiar: dinheiro fácil do setor de combustíveis, incentivos fiscais sob suspeita e um Palácio Guanabara que nunca fica muito tempo sem sirenes da PF à porta.