As eleições de 2026 ganham um novo personagem central: não é um candidato, mas um escândalo de R$ 134 milhões envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, quem entra em cena para arbitrar o estrago são os institutos de pesquisa.

De um lado, o Datafolha chega como “termômetro instantâneo” da crise, vendida como a primeira fotografia do eleitorado após a revelação das mensagens em que o senador pede R$ 134 milhões ao dono do Banco Master para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Registrada no TSE sob o número BR-00290/2026, a pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 12 e 14 de maio, em entrevistas presenciais e com margem de erro de 2 pontos percentuais. É a continuidade de um cenário em que, em abril, Lula tinha 39% no primeiro turno estimulado contra 35% de Flávio – e um empate técnico no segundo turno, com 45% para Lula e 46% para o senador.

Só que esse “antes e depois” do Datafolha é parcial: parte dos entrevistados respondeu sem saber do caso, já que o áudio veio à tona no dia 13. Para analistas críticos ao bolsonarismo, isso tende a suavizar o impacto imediato, mas permite comparar a curva de desgaste do senador ao longo da semana.

Do outro lado, a AtlasIntel aposta no efeito pleno da bomba. O instituto registrou pesquisa nacional com 5 mil eleitores, campo de 13 a 18 de maio – todo o período pós-vazamento – com margem de erro de 1 ponto percentual. A coleta é 100% online, por recrutamento digital e pós-estratificação, e vem acompanhada de um questionário específico sobre a relação Flávio–Vorcaro, com nove perguntas dedicadas ao escândalo.

Enquanto o Datafolha mede o choque inicial e preserva uma linha de continuidade das intenções de voto, a AtlasIntel se posiciona como radiografia aprofundada do dano político. Em comum, ambos colocam o clã Bolsonaro sob um holofote estatístico que pode redefinir a largada de 2026.