Tarcísio de Freitas transformou a defesa de Flávio Bolsonaro num ataque ao PT – e num teste de estresse para a direita às vésperas da eleição. Enquanto o governador tenta blindar o senador, parte da própria base bolsonarista cobra explicações mais duras.

O discurso oficial: problema é o PT, não Flávio

Na linha de frente, Tarcísio relativiza o impacto das mensagens em que Flávio cobra pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master. Para ele, o episódio “não deve comprometer a possível candidatura presidencial” do senador, porque há “um cansaço já com o PT muito grande, uma fadiga de material, uma incapacidade de vender esperança”. Em outra entrevista, repete que “existe uma fadiga do PT em vender esperança” e que as pessoas estão “tomadas pela desesperança, esperando um projeto”.

No mesmo movimento, tenta reforçar a imagem de prontidão de Flávio: o senador “imediatamente procurou dar todos os esclarecimentos” e precisa “continuar dando os esclarecimentos à medida que as perguntas forem aparecendo”. O próprio Flávio, em nota, bate na tecla de que buscou apenas “patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”.

A crítica oposicionista: defesa torta e caso explosivo

Na oposição, a leitura é oposta: Tarcísio estaria “atacando o PT para tentar justificar” áudios em que Flávio cobra o banqueiro por pagamentos do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, num contexto em que o escândalo do Banco Master “está no centro das atenções de todos os brasileiros”. A mesma reportagem ressalta que Vorcaro está preso acusado de liderar fraudes que podem alcançar R$ 12 bilhões e que a autenticidade dos áudios foi confirmada por investigadores e pela TV Globo.

A fissura na direita: apoio, constrangimento e cobrança

Se Tarcísio oferece um escudo político, parte da militância e de influenciadores bolsonaristas exige algo mais concreto que narrativas. Rodrigo Constantino resume o clima de cobrança: “Queremos os documentos! O destino do $. É a única forma de virar essa página...”. Em outro comentário, faz questão de marcar distância do tom de intimidade revelado nos áudios: “quando o senador Flavio me manda mensagem, sempre me trata por Rodrigo ou Constantino, nunca por ‘mermão’ ou ‘irmão’”.

Na ala que encara o caso como armação ou exagero da mídia, há quem veja uma convergência incômoda entre extremos: “Mídia de esquerda detonando Flávio. Vozes da direita compartilhadas por petista detonando o Flávio”. Ao mesmo tempo, outros perfis tentam reagrupar o campo bolsonarista, celebrando que uma “narrativa contra o Flávio Bolsonaro” teria sido “destruída completamente” em programa simpático ao senador.

Entre a blindagem de Tarcísio, a artilharia da oposição e a desconfiança dentro da própria direita, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro entra na campanha já sob fogo cruzado – e com uma cobrança central pendurada sobre a mesa: mostrar, ou não, todos os papéis.