Government-aligned
Lucro da Caixa cai 34% no primeiro trimestre com novas regras do BC
Resultado do banco foi impactado pelo forte aumento das provisões para perdas com crédito, que mais do que dobraram no período
há 12 horas
O lucro da Caixa encolheu, mas o crédito cresceu. Entre o choque de um tombo de 34,4% no resultado e o discurso de que isso é “prudência regulatória”, o balanço do maior banco público de varejo do país virou disputa de narrativa.
De um lado, a leitura oficial e alinhada ao governo insiste que o problema não é gestão, mas regra do jogo. A Caixa registrou lucro recorrente de R$ 3,5 bilhões no 1º trimestre, com forte impacto das novas normas do Banco Central que exigem provisões com base em perdas esperadas, não mais apenas nas perdas efetivas. O resultado foi um salto de 225% nas provisões para R$ 6,5 bilhões, o que “pressionou o resultado trimestral” ao mesmo tempo em que elevou as reservas para calotes futuros.
Outra abordagem, também governista mas mais dramática no tom, fala em “proteção contra calote” que fez o lucro “despencar 34%, para R$ 3,5 bi”. A ênfase aqui está em mostrar que o banco está pagando, agora, o preço de se antecipar ao aumento do risco de inadimplência — o índice acima de 90 dias já subiu para 3,71%.
Ao mesmo tempo, uma terceira linha de cobertura prefere destacar o copo meio cheio: “Caixa tem lucro líquido de R$ 3,5 bi no 1º tri, queda de 34,4% em um ano”, mas com uma carteira de crédito que chegou a cerca de R$ 1,4 trilhão, alta de 11,3%, puxada por um crédito imobiliário de R$ 966,2 bilhões e margem financeira 11,8% maior.
Em comum, todas as leituras convergem em dois pontos: o lucro caiu forte e o gatilho foi a transição regulatória do BC. Divergem, porém, no enquadramento político-econômico: é tropeço, efeito colateral de prudência ou sinal de um banco público expandindo crédito enquanto engole uma dose extra de risco?