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'Não serei muito mais paciente': afirma Trump sobre o Irã
Donald Trump em visita a China em maio de 2026. — Foto: Brendan Smialowski / Pool / AFP
há 11 horas
Donald Trump voltou a subir o tom contra o Irã, avisando que a paciência está no fim e tentando transformar tensão geopolítica em ativo eleitoral. No centro do tabuleiro, China e Estreito de Hormuz viram moeda de troca.
Na narrativa alinhada ao governo, o recado é simples: Teerã precisa correr. Trump “disse que sua paciência com o Irã está acabando e cobrou um acordo nuclear” após se reunir com Xi Jinping, em Pequim. Em entrevista à Fox News, ele reforçou que o país “precisa fechar um acordo rapidamente” e disparou: “Não vou ser muito mais paciente. Eles deveriam chegar a um acordo”.
Esse enquadramento vende Trump como negociador duro, mas racional: os Estados Unidos suspenderam ataques, porém mantêm o bloqueio a portos iranianos, numa pressão calibrada enquanto “Trump busca apoio chinês para encerrar a guerra antes das eleições americanas”.
Do lado chinês, a cobertura ressalta consenso e contenção. A Casa Branca celebrou que Trump e Xi “concordaram em manter o Estreito de Hormuz aberto”, e o presidente americano exibiu como triunfo a promessa de Xi de “não enviar equipamentos militares ao Irã”.
Mas a mesma leitura governista admite que “analistas duvidam que a China pressione o Irã com força total”, sugerindo que Pequim quer estabilidade e acesso ao petróleo, não assumir o papel de xerife de Washington.
Enquanto Trump minimiza “a ameaça do estoque de urânio enriquecido iraniano”, avaliando que protegê-lo é mais “relações públicas” do que segurança real, o Irã responde com tática de abre-e-fecha: fechou o estreito, depois “começou a liberar a passagem de navios de países aliados”, como China e Japão, elevando o tráfego para cerca de dez navios por dia – ainda muito abaixo dos 140 pré-guerra.
No campo de batalha, dois novos incidentes com navios – um cargueiro indiano afundado e uma embarcação tomada por iranianos – mostram que o relógio de Trump pode estar acelerado, mas o da crise regional continua girando por conta própria.