Eduardo Bolsonaro diz que não viu a cor do dinheiro de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal, porém, investiga se justamente esse dinheiro bancou sua vida nos Estados Unidos. No centro do enredo, um filme biográfico, “Dark Horse”, e um fundo texano que virou personagem principal.

De um lado, a narrativa da defesa. Eduardo chama a acusação de que recebeu recursos do fundo de investimento de “tosca” e fala em “assassinato de reputação”, alegando que seu status migratório nos EUA o impediria de embolsar qualquer valor irregular. Ele afirma ter explicado às autoridades americanas “toda a origem” de seus recursos, sem problemas com o governo dos EUA. A linha é reforçada por aliados: para eles, buscar investidores para o filme do pai é crime inventado — “O crime de buscar investidores para o filme sobre o seu pai!!”, ironiza Paulo Figueiredo.

Do outro lado, a frente das suspeitas. A PF apura se recursos que deveriam financiar “Dark Horse” foram desviados para bancar a estadia de Eduardo nos EUA, inclusive via fundo Havengate, controlado por aliados do ex-deputado. Reportagens relatam que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro, dentro de um pacote de até R$ 134 milhões, para o projeto do filme. Nas redes, críticos preveem estrago político: “Essa peregrinação eduardista nos States, com passagens por Dubai, ainda vai dar dor de cabeça ao irmão candidato…”.

Há, ainda, a tentativa de blindagem do entorno. Flávio admite que buscou investidores, mas nega qualquer oferta de vantagens. Mário Frias, produtor executivo, sustenta que Flávio não tem sociedade no filme e que a produtora segue legislação americana rigorosa. Já apoiadores digitalizam a linha de defesa: “As mentiras vão caindo rapidamente. A turma da ejaculação precoce que se vire...”, dispara Figueiredo.

Enquanto a PF procura seguir o rastro dos milhões, o bolsonarismo tenta emplacar outro roteiro: o de que tudo não passa de perseguição política e narrativa mal escrita.