Lula transformou o novo escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro em munição política — mas, ao mesmo tempo, tenta manter distância formal do caso, jogando tudo no colo da Polícia Federal.

De um lado, a imprensa mais alinhada ao governo ecoa a fala do presidente quase como um bordão: o elo entre o senador e o banqueiro, investigado por fraudes bilionárias, é “caso de polícia”. Em eventos na Bahia, Lula repetiu que “não é policial nem procurador-geral” e que o assunto deve ser tratado “na primeira delegacia da PF”, enquanto ele se dedica a “tratar do povo brasileiro”. Veículos como Brasil 247 e G1 enfatizam que Vorcaro está preso, acusado de chefiar um esquema de até R$ 12 bilhões e de ter bancado R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro, após pressão direta de Flávio por pagamentos.

Na mesma linha, destacam o uso do palco oficial — retomada da fábrica de fertilizantes da Petrobras e entrega de moradias do Minha Casa, Minha Vida — para Lula opor “verdade” e “mentira” em tom de campanha e marcar contraste com o bolsonarismo. A narrativa governista é clara: é o adversário que agora está na mira da PF, enquanto o presidente governa e reinaugura obras.

Do outro lado, a oposição tenta virar o jogo. Revista Oeste ressalta que Lula evita comentar o conteúdo dos áudios e procura se blindar, dizendo que o caso “não compete ao governo”. Já no campo bolsonarista, a comparação é direta: em retuíte amplificado por Eduardo Bolsonaro, lembra-se que Lula “sobreviveu a escândalos maiores — mensalão, petrolão e até prisão — e voltou à Presidência”, questionando o impacto de um “pedido de dinheiro” diante desse histórico.

No fim, governo e oposição concordam em algo raro: é “caso de polícia”. Divergem, porém, sobre quem realmente está no banco dos réus — Flávio, Lula ou o próprio sistema político.