Santos 2, Coritiba 0 e vaga garantida nas oitavas da Copa do Brasil. A classificação é unânime; o significado dela, nem tanto: enquanto uns veem um Santos renascido, outros olham para o placar e enxergam, sobretudo, um veredito provisório sobre Neymar.

De um lado, a leitura do resultado frio: "Coritiba 0 x 2 Santos" resume o jogo em que o time paulista foi cirúrgico fora de casa e reverteu o empate sem gols da ida. O placar ao vivo reforça o domínio santista: Bontempo aos 19 e Adonis Frías aos 27, controle de posse (52% x 48%) e classificação assegurada sem sustos. Na crônica do dia seguinte, o roteiro é de grande feito: o Santos "derruba o favoritismo coxa e segue na Copa", em um "grande resultado no Couto Pereira" para avançar às oitavas.

Outra corrente foca no contexto mais amplo do clube. O triunfo por 2 a 0 é descrito como quebra de um "jejum de três anos" sem vitória na Copa do Brasil, com atuação "segura" como visitante e R$ 3 milhões garantidos em premiação, além da expectativa pelo sorteio das oitavas. A narrativa aqui é de reconstrução: time eficiente, defesa sólida, gol de zagueiro artilheiro e um Santos que volta a se acostumar a decidir.

Mas o jogo também foi julgamento de Neymar. Na análise mais crítica, ele "ajuda o Santos, mas não dá argumentos decisivos por vaga na Copa"; atuação "razoável para boa", com evolução física, muita movimentação e uma assistência simples, mas sem o brilho que convença Carlo Ancelotti a levá‑lo ao Mundial. Já a leitura mais ácida registra que Neymar "esteve em campo até os 38 minutos de segundo tempo de doer nos olhos, mas só esteve em campo", com o time jogando com "dez jogando e um desfilando" – compensado apenas pelo primeiro tempo intenso do Santos.

No fim, o consenso é o placar; a divergência é o protagonista. Para uns, a noite em Curitiba marca o Santos competitivo de novo. Para outros, é o lembrete de que, por enquanto, quem decidiu mesmo a classificação atende por Bontempo e Adonis.