Government-aligned
Lucro do Banco do Brasil cai 54% com avanço da crise no agro
O banco afirmou que o aumento das perdas esperadas reflete principalmente a elevação da inadimplência nas operações com produtores rurais
há 13 horas
O Banco do Brasil sangra lucro no trimestre, mas a disputa está em outra frente: quem carrega a culpa pela conta bilionária da crise no agronegócio – o banco, o agro ou o próprio modelo de crédito rural subsidiado?
Enquanto o número frio é o mesmo para todos – lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, queda de 53% a 54% em um ano –, as leituras se dividem.
Veículos alinhados ao governo enfatizam que não se trata de má gestão da estatal, mas de um choque específico no campo. A crise é descrita como consequência direta dos "calotes do setor do agronegócio" que "pesaram no lucro do Banco do Brasil". Um deles resume o quadro: "Lucro do Banco do Brasil cai 54% com avanço da crise no agro".
Nessa narrativa, o problema central é a escalada da inadimplência rural, que forçou uma explosão nas provisões para perdas – R$ 16,8 bilhões, alta de 46% em 12 meses. A queda do retorno sobre o patrimônio para 7,3% é tratada como efeito colateral de um esforço de contenção de danos, não como sinal de fragilidade estrutural.
Ao mesmo tempo, a cobertura governista faz questão de mostrar o copo meio cheio: a carteira de crédito total cresce 2,2% e chega a R$ 1,3 trilhão, puxada por pessoas físicas e consignado. A manchete "Banco do Brasil tem lucro de R$ 3,4 bi no 1º tri, queda de 53% em 1 ano" vem acompanhada do lembrete de que ativos e patrimônio seguem em alta.
O contraste é claro: de um lado, o agro aparece como fator desestabilizador que obriga o banco a revisar o lucro projetado de até R$ 26 bilhões para um intervalo de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões. De outro, o BB é retratado como peça de política pública, ainda sólida, que absorve o tranco do campo enquanto sustenta a expansão do crédito à população.