A cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, virou um roteiro à parte: enquanto o senador Flávio Bolsonaro admite ter batido à porta de um banqueiro bilionário, a produtora garante que nenhum centavo dele entrou no filme. No meio, Mario Frias posa de bombeiro, tentando apagar o incêndio político-financeiro.
De um lado, a versão alinhada ao bolsonarismo tenta organizar a narrativa. A Folha registra que a própria produtora negou ter recebido aporte de Daniel Vorcaro “apesar de Flávio confirmar pedido” de dinheiro ao banqueiro para viabilizar o longa. Em outra coluna, o foco é a defesa de Mario Frias, que repete que não há “um único centavo” de Vorcaro no projeto e que Flávio “não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora”, limitando-se a ceder a imagem da família e a atrair investidores privados. Já o Brasil247 enfatiza a linha de defesa: Frias sai em campo para blindar o senador após a revelação de que ele teria negociado R$ 134 milhões com o dono do Banco Master, frisando que o filme teria “100% de capital privado” e sem dinheiro público.
Do outro lado, a oposição explora o choque de versões — e o transforma em munição política. A Fórum destaca que a GOUP Entertainment “desmente Flávio Bolsonaro” e afirma categoricamente que, entre mais de uma dezena de investidores, “não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário”, além de frisar que conversas preliminares não configuram investimento. O Jornal da Cidade Online reproduz a mesma nota técnica: a produtora reitera que não recebeu “um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro” e que o filme foi estruturado sem recursos públicos, repudiando “tentativas de associação indevida” com o escândalo financeiro.
Curiosamente, até veículos simpáticos a Bolsonaro falam em “palavra final” do produtor executivo, ao divulgar os cinco pontos de esclarecimento de Frias como tentativa de “fechar a questão”. Só que, com áudios, versões cruzadas e um banqueiro preso em cena, o enredo está mais para série investigativa do que para final feliz.