Uma explosão que matou um homem, feriu moradores e virou rua em escombros no Jaguaré abriu duas frentes paralelas: de um lado, o mutirão oficial para conter danos; de outro, a guerra política em torno da Sabesp privatizada.
Estado e concessionárias: foco em gestão da crise
Na narrativa governista, o recado é: o estrago foi enorme, mas a resposta é rápida e organizada. A Defesa Civil e o IPT vistoriaram 105 imóveis, liberando 86 para retorno, interditando 5 totalmente e 14 de forma cautelar, com acesso apenas acompanhado por técnicos. Outras reportagens reforçam que esses cinco imóveis serão demolidos e reconstruídos, com todos os custos de mudança e obra pagos por Sabesp e Comgás, que também deverão ressarcir o governo pelo uso de habitações da CDHU.
O discurso oficial destaca auxílio imediato: cerca de 194 pessoas já se cadastraram para receber R$ 5 mil de ajuda emergencial, valor anunciado por Sabesp como pagamento “na hora, via Pix”. As empresas confirmam que vão arcar com demolição, reconstrução e indenizações às famílias atingidas. Em paralelo, advogados lembram que a explosão pode ser investigada como desabamento, lesão corporal ou até homicídio, com responsabilização de toda a cadeia de trabalhadores, engenheiros e gestores, a depender da perícia.
Oposição: foco na privatização e na falha preventiva
No contraponto, a oposição enxerga menos “acidente” e mais “sintoma de modelo”. A explosão, possivelmente ligada a obra da Sabesp que perfurou rede de gás, é usada para atacar a privatização conduzida por Tarcísio. Articulistas afirmam que o caso “não pode ser tratado como um acidente isolado”, mas como parte da “deterioração da capacidade de planejamento, fiscalização e segurança” desde a venda da companhia.
Fernando Haddad responsabiliza explicitamente a privatização pela tragédia, associando-a a uma sequência de problemas: falta d’água, água suja, aumento de reclamações e tarifas. Outro texto oposicionista enfatiza o tamanho do desastre — ao menos 46 imóveis interditados, cerca de 160 desalojados e 2 mil m² em escombros — e lembra que moradores sentiram “cheiro de gás horas antes da explosão”, sem que a obra fosse interrompida.
Enquanto o governo vende eficiência na resposta e promete reconstrução, a oposição mira a origem: um modelo de gestão que, segundo ela, tornou a Sabesp um “negócio explosivo”.