Opposition
Nunes Marques sob pressão: TSE e revisão criminal de Bolsonaro
No programa Última Análise desta segunda-feira (12), convidados falam a respeito de revisão criminal de Bolsonaro nas mãos de Nunes Marques.
há 2 dias
A posse de Kassio Nunes Marques no comando do TSE teve duas faces: tribunal em tom grave falando de democracia e inteligência artificial, e bastidores em clima de camarote caro, charuto premium e reaproximações improváveis.
De um lado, o próprio Nunes Marques tentou se apresentar como guardião institucional. Em seu discurso, defendeu a democracia, prometeu combater a desinformação, regular o uso de IA nas campanhas e preservar a confiança nas urnas eletrônicas, tratadas como eixo central da sua gestão. Alinhada a essa imagem, a cobertura destacou sua meta de “menos judicialização” e a prioridade em blindar o processo de outubro, quando o TSE comandará as eleições gerais de 2026.
Só que o novo presidente do TSE é também o ministro que tentou manter Jair Bolsonaro elegível, votando contra a condenação por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação, e que agora relata a revisão criminal do ex-presidente no STF, vista à direita como teste de sua “gratidão e fidelidade” às razões da indicação bolsonarista.
Enquanto isso, a cena política se dividia entre gestos frios e abraços calorosos. Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dividiram a mesa solene, mas sem troca de cumprimentos; Alcolumbre ainda se recusou a aplaudir o AGU Jorge Messias. Já Michelle Bolsonaro protagonizou um abraço e beijo em Alexandre de Moraes, episódio que dividiu bolsonaristas e simbolizou uma trégua protocolar com o ministro que conduz processos-chave contra o ex-presidente.
Se o plenário falava em “processo democrático”, a noite terminou no Lago Paranoá, com jantar exclusivo, ingressos de R$ 800, uísque, vinhos e charutos caríssimos, em festa com Gusttavo Lima, ministros e a elite jurídica de Brasília. Para a direita radical, essa é “a posse que pode mudar a história do país”, a depender de como Nunes Marques lidará com censura, liberdade de expressão e o fantasma de 2022.