Ciro Nogueira resolveu dobrar a aposta: poucos dias depois de virar alvo da PF no escândalo do Banco Master, ele reapresenta no Congresso a mesma ideia que detonou a suspeita – elevar radicalmente a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O que quer Ciro

O senador protocolou novamente a chamada “emenda Master”, que aumenta a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por investidor. Ele argumenta que o teto atual foi fixado em 2013 e nunca mais atualizado, apesar de a inflação superar 108% no período, o que exigiria, segundo ele, “ajuste da cobertura” para proteger correntistas.

Ciro também quer que o Conselho Monetário Nacional revise o teto pelo menos a cada quatro anos, preservando o poder de compra da garantia. Em público, nega qualquer participação em esquema com o Banco Master, afirma que “nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade” e diz que o verdadeiro problema está na fiscalização do Banco Central, não no FGC.

O que diz a investigação e os críticos

Para a PF, a proposta original de 2024 foi “elaborada pela própria assessoria do Master”, impressa e entregue em um envelope endereçado a “Ciro”, tendo sido depois “reproduzida de forma integral pelo parlamentar”. Interlocutores do banco celebraram que a medida “sextuplicaria” o negócio do Master e poderia causar uma “hecatombe” no mercado financeiro, ao fragilizar o próprio fundo que garante depósitos.

Especialistas citados veem risco moral: um FGC mais generoso poderia estimular bancos médios a assumir estratégias mais arriscadas, sabendo que o colchão de proteção aumentou, ao custo potencial para o sistema como um todo.

Quem ganha com a reedição da emenda?

De um lado, Ciro tenta vestir a capa de defensor do pequeno investidor, ancorando o discurso em inflação e segurança ao correntista. Do outro, a PF descreve um texto sob medida para um banco específico, com potencial de “hecatombe” para o FGC. A emenda é a mesma; o cenário político, muito mais explosivo.