Opposition
Sabesp: Haddad responsabiliza privatização de Tarcísio por explosão em SP
Haddad responsabiliza a privatização da Sabesp por Tarcísio após explosão no Jaguaré, em São Paulo, que deixou um morto, feridos e moradores afetados.
há 11 horas
Uma explosão que mata um trabalhador, destrói casas e espalha pânico em um bairro popular de São Paulo virou, em poucas horas, laboratório de choque entre narrativa técnica, disputa política e guerra ideológica em torno da Sabesp.
Nos pontos básicos há convergência: vazamento de gás durante obra da Sabesp no Jaguaré, uma morte, três feridos, dezenas de casas danificadas e pelo menos 46 residências inicialmente interditadas pela Defesa Civil. As concessionárias Sabesp e Comgás admitem que havia intervenção na rede de água e que uma tubulação de gás foi atingida, prometendo ajuda emergencial em dinheiro, hospedagem em hotéis e assistência às vítimas.
O entorno de Tarcísio tenta blindar o governo com uma narrativa de gestão de crise: vistoria técnica de 105 imóveis, dos quais 86 já liberados, cadastro de quase 200 pessoas para auxílio emergencial de até R$ 5 mil e detalhamento do socorro a feridos, inclusive um paciente intubado em UTI. A ênfase é na ideia de que “não há prazo” para liberar totalmente a área, porque a prioridade é a segurança e o rastreamento da destruição.
A oposição mira mais alto: o alvo não é só o erro de obra, é o projeto. A Fórum destaca que Fernando Haddad atribui a tragédia ao “modelo de gestão da empresa desestatizada” por Tarcísio, citando falta d’água, água suja e aumento de reclamações e tarifas para sustentar que a explosão seria sintoma de uma Sabesp privatizada e fragilizada. O Brasil 247 vai na mesma linha e lembra que a companhia foi entregue em “privatização sem disputa”, com a Equatorial como única interessada, o que reabre o debate sobre capacidade técnica e enxugamento operacional em infraestrutura crítica.
Enquanto isso, veículos mais técnicos descrevem um cenário jurídico pesado: a explosão pode gerar responsabilização civil, criminal e administrativa de trabalhadores, engenheiros, gestores, Sabesp, Comgás, terceirizadas e até do próprio Estado, a depender da perícia. A Folha lista dúvidas incômodas — por que o vazamento não foi contido a tempo? por que não houve evacuação? — enquanto o UOL lembra que, se for constatada falha de serviço público, o Estado também pode pagar a conta.
No Jaguaré, porém, a disputa é menos sobre tese econômica e mais sobre tijolo e aluguel: o que a política transformar em narrativa, o escombro já transformou em urgência.