Lula escolheu a segurança pública como palco central do ano eleitoral — e entrou em campo com um cheque de R$ 11 bilhões e um alvo declarado: o crime organizado. Enquanto o Planalto fala em “estratégia nacional”, a oposição grita “marketing” e as redes bolsonaristas tratam o anúncio como piada pronta.
De um lado, o governo vende o programa “Brasil Contra o Crime Organizado” como virada de chave. O plano prevê R$ 11 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento federal e R$ 10 bilhões em crédito via BNDES para estados que aderirem ao pacote, focado em asfixia financeira de facções, reforço de presídios, elucidação de homicídios e combate ao tráfico de armas. A comunicação oficial ressalta que se trata de uma “nova estratégia nacional” para atingir “dinheiro, comando e logística” das organizações criminosas. A narrativa governista também apresenta o pacote como resposta à pressão popular, citando que 41,2% dos brasileiros percebem a presença do crime organizado no bairro onde vivem.
A imprensa alinhada ao governo destaca o caráter estruturante e a tentativa de Lula de construir uma “marca” em segurança pública, tema em que sua avaliação é ruim ou péssima para mais da metade dos entrevistados. O lançamento veio escoltado por operação da PF em 16 estados, com 71 mandados de prisão e 165 de busca, apresentada como desdobramento direto do programa.
Entre um governo que aposta alto em recursos e cooperação federativa, uma oposição que prefere o deboche à negociação e uma direita que sonha com um “Bukele tropical”, o novo plano de Lula nasce cercado de fogo cruzado — e com pouco espaço para fracassar.