Uma ex-executiva da Meta resolveu fazer o que muitos governos ainda tateiam: criar um canal direto para responsabilizar as big techs. A CTRL+Z nasce prometendo ser o “desfazer” dos abusos digitais, mas também levanta a pergunta óbvia: quem vigia os vigilantes?

O que é a CTRL+Z

A ONG é liderada por Daniela da Silva Scapin, ex-chefe de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, que deixou a Meta em protesto após o fim de programas de diversidade, integridade e checagem de fatos. A organização se define como uma iniciativa para “enfrentar as big techs”, recebendo denúncias de abusos e irregularidades cometidos por gigantes como Meta, Google e outras.

Na prática, a CTRL+Z oferece apoio jurídico gratuito a usuários que relatam bloqueio de contas, vazamento de dados e perfis falsos, entre outros problemas. Também abre um canal de denúncias anônimas de funcionários, o #VazaBigTech, para whistleblowers que queiram expor práticas internas ainda desconhecidas do público.

Visão alinhada ao governo: responsabilizar as plataformas

Na cobertura mais alinhada ao discurso regulatório do governo, a CTRL+Z aparece como peça de um novo ecossistema de controle privado das plataformas. A ONG promete articular pessoas e instituições contra as big techs, reunindo vítimas para organizar ações coletivas e disputas judiciais.

Em entrevista, Daniela resume o objetivo como criar uma “cultura de responsabilização das big techs”, apoiada por uma rede de escritórios de advocacia interessados em atuar nos casos.

Semelhanças e diferenças nas narrativas

Semelhanças:

  • Ambas as coberturas destacam o caráter inédito de uma ONG brasileira focada exclusivamente em denúncias contra big techs e em apoio jurídico gratuito.
  • As duas reforçam o papel biográfico de Daniela: a saída da Meta após o fim da checagem de fatos é tratada como gatilho político e simbólico para a criação da entidade.

Diferenças:

  • A abordagem mais política enfatiza o slogan de “enfrentar as big techs” e o poder trilionário dessas empresas, tratando a ONG quase como contrapeso de poder privado.
  • Já o foco mais de serviço detalha o funcionamento: quais plataformas são alvo, como registrar queixas e o estágio ainda experimental da operação, reconhecendo que o suporte pode demorar enquanto a estrutura cresce.

Em comum, porém, ambas convergem numa mensagem: se as big techs mandam no espaço digital brasileiro, a CTRL+Z quer, pelo menos, estragar a festa.


1. UOL Tilt — "Ctrl+Z: ONG de ex-chefe da Meta recebe denúncias de abusos de big techs".

2. g1 — "Ex-chefe do WhatsApp Brasil cria ONG para denúncias contra big techs".