Government-aligned
Shakira em Copacabana: veja a provável setlist da apresentação
Maria Bethânia e Caetano Veloso são clicados no palco, durante o ensaio de Shakira, no Rio
há 12 dias
Shakira transformou um “simples” ensaio na Praia de Copacabana em pré-estreia de superprodução global, misturando pop internacional, MPB canônica e carnaval de avenida — tudo de graça, em plena orla do Rio.
De um lado, a máquina pop: o show “Las Mujeres Ya No Lloran” ganha versão gigante no projeto “Todo Mundo no Rio”, com palco de 1.500 m², DJs como Vintage Culture e Maz no esquenta e transmissão ao vivo pela TV Globo, Globoplay e Multishow. A provável setlist traz uma maratona de hits em espanhol e inglês, de “Whenever, Wherever” a “Hips Don’t Lie”, passando por “Waka Waka” e “BZRP Music Sessions #53”.
Do outro, o coração brasileiro do roteiro: Shakira divide o microfone com Caetano Veloso e Maria Bethânia, dois monumentos vivos da música nacional. Juntos, ensaiam “Leãozinho” e “O Que É, O Que É”, clássico de Gonzaguinha regravado por Bethânia, agora embalado pela bateria da Unidos da Tijuca, que leva o clima de Sapucaí direto para a areia.
O governo e veículos alinhados tratam o evento como vitrine perfeita: Shakira “lota as areias de Copacabana” já no ensaio, reforçando a imagem de um Rio capaz de atrair espetáculos gigantes, misturar culturas e ainda entregar segurança e infraestrutura televisiva em padrão de final de Copa.
Ao mesmo tempo, a narrativa oficial foca na celebração, não nas tensões: pouco se fala sobre custos públicos, impactos locais ou sobre a transformação da praia em estúdio a céu aberto. A ênfase é outra: o “ensaio aberto” vira quase um segundo show, com direito até a surpresa — Shakira ensaia “Loca” e sinaliza que o hit também deve entrar na noite principal.
No papel, é pop; na prática, é política cultural em horário nobre.