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Acidente palco Shakira: Crea-RJ vai multar empresa irregular
Funcionários tentam resgatar técnico atingido durante montagem de palco de show da Shakira
há 15 dias
A morte do serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, esmagado por elevadores durante a montagem do palco do show de Shakira em Copacabana, virou palco de outra disputa: entre o discurso de rigor institucional e a cobrança por responsabilidades rápidas e claras.
De um lado, a vitrine oficial aposta na imagem de eficiência técnica. O Crea-RJ correu para anunciar que vai multar a empresa responsável pela estrutura, destacando que se trata de uma "empresa irregular" na montagem do palco da cantora. A mensagem é direta: houve falha empresarial e o Estado reagiu, com punição administrativa e reforço da narrativa de fiscalização ativa.
A Polícia Civil, por sua vez, vende prudência jurídica. O caso, conduzido pela 12ª DP, é tratado inicialmente como lesão corporal culposa em acidente de trabalho, com nova perícia no local para determinar se houve negligência, imprudência ou imperícia por parte da empresa. O inquérito abre espaço para dois caminhos: homicídio culposo, se for reconhecida falha sem intenção, ou até homicídio doloso na forma de dolo eventual, caso se conclua que alguém assumiu o risco da morte.
Na prática, Crea e Polícia caminham juntos, mas em ritmos diferentes. Enquanto o conselho profissional já crava irregularidades e anuncia multa, a investigação criminal ainda admite a hipótese de que tudo acabe classificado apenas como acidente de trabalho, sem responsabilização penal.
Ambos os órgãos convergem ao mirar a empresa por possíveis falhas de segurança. Divergem, porém, no peso da culpa: o Crea fala em irregularidade consumada e sanção imediata, enquanto a Polícia Civil mantém o verbo no condicional e aguarda laudos periciais em até 30 dias antes de decidir se houve crime ou “apenas” mais uma morte no trabalho no backstage do espetáculo.