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Julián Fuks: A cidade invisível que Italo Calvino nunca descreveu
O viajante que chega à cidade numa tarde ensolarada de inverno não percebe de imediato a diferença. Seus muros não são pilhas de livros, não são páginas de livros as suas paredes, não correm palavras nas águas de seus rios. É certo que a cidade já ostenta aos olhos de tal sujeito uma beleza incomum, que suas casas antigas têm cores gráceis, que suas árvores refulgem ao sol, que o céu é imenso sobre a Serra do Mar ao fundo, mas tudo isso o viajante vê com intermitência porque tem que baixar os olhos para não tropeçar nas pedras desiguais onde pisa. E porque na verdade ainda não se encontra ali a beleza, ou não se encontra ali a única beleza possível, há uma outra beleza secreta que a torna bem mais singular entre as tantas cidades de seu largo país.

TL;DR
- A cidade apresenta uma beleza incomum, com paisagens que encantam à primeira vista.
- Uma paixão avassaladora por livros e literatura domina a cidade, tornando-se sua verdadeira essência.
- Grandes públicos comparecem a debates literários, demonstrando a força da atividade cultural.
- A dedicação aos livros é tão intensa que as pessoas prescindem de outras necessidades básicas.
- Mesmo em momentos de lazer como dança, a discussão literária permanece presente.
- O viajante é contagiado pelo fervor literário, sentindo um desejo de escrever e se tornar parte daquele universo.